10.7.05

Em frente

Para aonde vou? Não tenho a menor idéia! Tá bom, tá bom. Você vai me dizer que um cara assim como eu, racional, sempre tem tudo em mente. E ainda por cima geminiano... não tem jeito, a cabeça não pára, pensa em tudo. Eu digo sem medo, penso. É claro! Pode ter certeza que em algum momento tudo passa pelo meu pensamento. De uma maneira ou de outra, afinal. Mas de que importa tudo isso? Toda essa preocupação com amanhã. De que vale viver planejando as coisas, se são as coisas que não planejamos que nos fazem viver. Não planejamos nos apaixonar por alguém ou sofrer um acidente de automóvel. Simplesmente acontece. Uns podem dizer que era pra ser, outros que foi descuido. Mas no fundo, quem vai saber? Nem a verdade é algo tangível o suficiente. Nesses dias, melhor dizer que nem um pouco. Além do mais, a verdade é como a opinião: cada um tem a sua. Se bem que a mim me parecem a mesma coisa. O fato em suma é bem simples, somos um. Não há como seguir dois caminhos ao mesmo tempo. Ou trilhamos por nossa conta e risco ou nos sujeitamos aos resultados de nossas escolhas. Não há como medir duas vidas em uma. O destino só existe no passado. Senhor do tempo não é aquele que o controla ou desfruta melhor, mas aquele que o tem como aliado, que caminha lado a lado. A juventude, e eu ainda faço parte dela, tem umas idéias muito loucas. Quantas vezes não ouvi alguém dizer que sabia que iria morrer cedo? Quantas vezes eu não disse? Quanta bobagem! Quanta inexperiência. Não sabíamos, nem havia como. E aqui estou. Começando tudo denovo. Aprendendo do nada. Quase nada. Como eu fui me esquecer disso? Essa sensação. Do que foi preciso... Pra mim foi até pouco. Não nego, agradeço. Sinto que saiu barato. E que há de sair ainda mais. Trouxe de volta muito mais do que podia querer, quando menos podia esperar. É o que me faz viver, sorrir e continuar.

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